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Campinas - O Vale do Silício Brasileiro

De cidadezinha do interior a um dos maiores pólos de alta tecnologia do Brasil. Essa foi a trajetória de Campinas, município bem próximo à grande São Paulo, e que há mais de vinte anos vem desenvolvendo sua vocação tecnológica.

O pólo de tecnologia de Campinas é formado por duas áreas que somam oito milhões de metros quadrados, conhecidas como Parques I e II, e concentra 110 empresas do setor de tecnologia, das quais 63 são de informática e 47 de telecomunicações. Neste moderno parque industrial estão presentes unidades de 32 das 500 maiores empresas do mundo, como a Lucent Technologies, IBM, Compaq e Hewlett-Packard (HP).

- O pólo de alta tecnologia de Campinas surgiu há duas décadas e meia, mas o conceito ainda era prematuro. Hoje ele cresceu, adquiriu uma enorme importância e formaliza a vocação de Campinas para o setor de tecnologia – orgulha-se o Secretário Municipal de Cooperação Internacional de Campinas, Rogério Cezar de Cerqueira Leite.

O que é que Campinas tem?

Não é à toa que a região de Campinas é tão requisitada pelas empresas de TI. A cidade concentra inúmeros atrativos, como boa malha viária e infra-estrutura aeroportuária, mão-de-obra qualificada e proximidade a fornecedores, universidades e centros de pesquisa. Além disso, o município oferece qualidade de vida superior a dos grandes centros urbanos. Tudo isso faz a diferença na hora das empresas escolherem onde vão se instalar.

A Lucent Technologies, por exemplo, transferiu sua matriz no Brasil para a Campinas, onde está desde 1997. É no pólo tecnológico que são fabricados cabos ópticos e equipamentos com tecnologia wireless.

- O que nos trouxe para cá foi uma conjunção de fatores positivos. Campinas tem vários institutos de pesquisa e excelentes universidades na área de TI. É um celeiro de mão-de-obra de alto nível. Além disso, a cidade possui infra-estrutura completa em setores essenciais, relativos a transporte e fornecedores de insumos. O fato de estarmos a uma hora da grande São Paulo e contarmos com bons acessos para o Rio de Janeiro também facilita muito – diz o diretor de Marketing Corporativo e Relações Públicas da Lucent, Virgílio Martins.

A Compaq foi outra empresa de TI que não resistiu aos encantos de Campinas. A companhia iniciou a fabricação de computadores no município em 1994, atraída pelas vantagens oferecidas pelo pólo tecnológico.

- Toda empresa precisa achar geograficamente o ponto de equilíbrio que é bom para o seu negócio. E para cada tipo de empresa existe um lugar ideal. A região de Campinas é o que há de melhor para a área de TI no País – elogia o diretor de Relações com o Governo da Compaq, Hugo Valério.

Quem já está instalado no pólo de alta tecnologia há mais tempo concorda. A IBM, por exemplo, está em Campinas há quase 30 anos e apesar de não ter sido atraída pela mesma variedade de benefícios que as empresas mais recentes na região, a Big Blue também pôde desfrutar de boas vantagens na época de sua instalação.

- Quando viemos, as condições foram mão-de-obra qualificada, proximidade com o porto e o aeroporto, e com duas excelentes universidades, que são a Unicamp e a Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Os outros atrativos foram se somando – afirma o diretor do Centro de Tecnologia da IBM no Brasil, René Castro.

E a IBM está expandindo sua atuação na região. Há um ano a empresa inaugurou em Hortolândia, município que fica a 20 minutos de Campinas, um condomínio industrial que abriga empresas de tecnologia, o Tech Town. Sua ocupação total está prevista para daqui a seis anos, mas hoje o condomínio já tem sete inquilinos, entre eles a AT&T, além da própria IBM.

- Nosso condomínio industrial está aberto a empresas que trabalhem com qualquer tipo de tecnologia. E as empresas instaladas vão desfrutar de uma série de incentivos fiscais oferecida pelo município de Hortolândia – lembra Castro.

A redução de impostos é outro fator que contribuiu para que a cidade se tornasse um pólo tecnológico. De acordo com o Secretário Municipal de Cooperação Internacional de Campinas, dentre os benefícios fiscais oferecidos às empresas que se instalam no pólo está a isenção de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e de Imposto Sobre Serviços (ISS) durante um prazo de cinco a dez anos. Há ainda outros incentivos, que variam de acordo com a natureza dos projetos.

- Além dos benefícios fiscais, como o ISS na área de software e incentivos específicos do parque de alta tecnologia, como isenção do IPTU, os preços dos terrenos e as regras que regem a entrada de empresas no pólo são diferentes daquelas adotadas para as companhias que não são ligadas à TI – explica Rogério Cezar de Cerqueira Leite.

Mas de acordo com o diretor de Relações com o Governo da Compaq, os incentivos fiscais são o que há de menos atraente na região de Campinas.

- Os impostos não diferem em nada de outras regiões. Não é o que atrai mais em Campinas. É óbvio que incentivos locais são bons, mas eles funcionam mais como fator de desempate. Não adianta nada você estar no meio do mato, por exemplo, sem pagar IPTU. O que se gastaria com transporte não iria compensar – discorda Hugo Valério.

O gerente de Produtos e Servidores Risk da HP, Jaison Patrocínio, concorda com Valério. A empresa inaugurou em março deste ano sua nova fábrica de servidores em Campinas, mas, segundo Patrocínio, os benefícios fiscais não fizeram diferença na escolha do município.

- A HP já possuía um centro de integração em Campinas desde 1994, onde também eram fabricadas máquinas Risk. Essa produção parou em 1996, e agora estamos reativando a parte de manufatura. O que trouxe a fábrica de volta foi a nova Lei de TI, e não a isenção de impostos. Não existe incentivo fiscal hoje em Campinas – polemiza.

Universidades + empresas = qualidade

A presença de universidades e centros de pesquisa de referência internacional é outro aspecto que conta pontos a favor de Campinas. A cidade possui a maior concentração de instituições de pesquisa e desenvolvimento tecnológico do interior do País, como o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD) da Telebrás, o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) e o Laboratório Nacional de Luz Síncroton (LNLS).

Há ainda duas unidades de pesquisa da Embrapa: a Embrapa Informática Agropecuária e a Embrapa Monitoramento por Satélite. Isso sem contar com a PUCCAMP e a Unicamp, instituições de ensino tradicionais.

Para o Secretário Municipal de Cooperação Internacional de Campinas, não são apenas as empresas que ganham com a concentração de universidades e institutos de pesquisa. Estas instituições tornam-se ainda mais conceituadas por atuarem junto a grandes corporações.

- É uma estrada de mão dupla. As empresas de TI sabem que vão encontrar profissionais qualificados no município, capazes de suprir as necessidades tecnológicas e de pesquisa de cada unidade produtiva. Em contrapartida, a parceria entre universidades, institutos de pesquisa e empresas garante a continuidade da formação de bons profissionais; o desenvolvimento de tecnologias de ponta e a reciclagem e atualização permanentes dos profissionais engajados nas empresas – acredita Rogério Cezar de Cerqueira Leite.

E ele acrescenta:
- Uma universidade forte pressupõe crescimento na qualidade da mão-de-obra formada, que é o que as empresas querem. Assim, cria-se uma simbiose entre os dois setores e este é o caminho adotado por todas as nações desenvolvidas. Pesquisa e desenvolvimento correm juntos - observa Cerqueira.

Mas apesar de concentrar duas renomadas universidades, a região de Campinas sofre com carência de mão-de-obra. O problema é que os alunos das universidades são disputados pelo mercado de trabalho antes mesmo de terminarem a graduação e, por isso, há dificuldades em atrai-los para a pós-graduação, que é a área das universidades que realiza a pesquisa e o desenvolvimento dos projetos das empresas.Mas apesar de concentrar duas renomadas universidades, a região de Campinas sofre com carência de mão-de-obra. O problema é que os alunos das universidades são disputados pelo mercado de trabalho antes mesmo de terminarem a graduação e, por isso, há dificuldades em atrai-los para a pós-graduação, que é a área das universidades que realiza a pesquisa e o desenvolvimento dos projetos das empresas.

- Neste aspecto as empresas são incoerentes. Elas querem contratar os alunos, mas ao mesmo tempo querem que a universidade desenvolva projetos. Só que para isso precisamos de alunos de pós-graduação. Sem dúvida, temos sentido carência – lamenta o professor titular do departamento de Comunicação da faculdade de Engenharia Elétrica e Computação da Unicamp, Hélio Waldman.

O assessor de Comunicação do Laboratório Nacional de Luz Síncroton, Roberto Medeiros, concorda com Waldman e dispara:

- Cada novo empreendimento que chega à cidade traz oportunidades de emprego. Empresas de alta tecnologia precisam estar instaladas onde existam cérebros em abundância. A Unicamp, a PUC-Campinas e as boas escolas técnicas da região garantem pessoal bem qualificado, mas é óbvio que muita gente vem de outros lugares – diz.

O Secretário Municipal de Cooperação Internacional de Campinas comemora a vocação do pólo tecnológico para ampliar a oferta de empregos na área de TI.

- O pólo gera empregos de uma forma direta e indireta, com parcerias, serviços e fornecedores. Por buscarem sempre os melhores profissionais, as empresas de TI também encontram e contratam pessoal de universidades instaladas fora da cidade – lembra Rogério Cezar de Cerqueira Leite.

Vantagens e desvantagens de uma cidade grande
Apesar de tantos avanços, o pólo tecnológico também levou para Campinas alguns problemas típicos dos grandes centros. A coordenadora de Estudos e Apoio à Pesquisa da PUC-Campinas, Vera Beraquet, aponta alguns deles.

- A vinda das empresas fomentou as pesquisas e deu uma injeção de ânimo nas universidades, na produção de conhecimento novo. Por outro lado, o pólo tecnológico trouxe problemas típicos de cidade grande, como poluição e violência – ressalta.

Para Hélio Waldman, no entanto, esses são fatores inerentes ao desenvolvimento de uma região.

- Os governos tentam dispersar atividades de desenvolvimento tecnológico para que regiões carentes possam se desenvolver, pois a grande desvantagem dos pólos é que os recursos ficam em uma única região. Ao mesmo tempo, a concentração é fundamental para o desenvolvimento tecnológico porque permite a sinergia, a interação entre grupos que trabalham com assuntos diferentes e o ambiente universitário. Essa troca é muito saudável – finaliza o professor titular da Unicamp.

- Neste aspecto as empresas são incoerentes. Elas querem contratar os alunos, mas ao mesmo tempo querem que a universidade desenvolva projetos. Só que para isso precisamos de alunos de pós-graduação. Sem dúvida, temos sentido carência – lamenta o professor titular do departamento de Comunicação da faculdade de Engenharia Elétrica e Computação da Unicamp, Hélio Waldman.

O assessor de Comunicação do Laboratório Nacional de Luz Síncroton, Roberto Medeiros, concorda com Waldman e dispara:

- Cada novo empreendimento que chega à cidade traz oportunidades de emprego. Empresas de alta tecnologia precisam estar instaladas onde existam cérebros em abundância. A Unicamp, a PUC-Campinas e as boas escolas técnicas da região garantem pessoal bem qualificado, mas é óbvio que muita gente vem de outros lugares – diz.

O Secretário Municipal de Cooperação Internacional de Campinas comemora a vocação do pólo tecnológico para ampliar a oferta de empregos na área de TI.

- O pólo gera empregos de uma forma direta e indireta, com parcerias, serviços e fornecedores. Por buscarem sempre os melhores profissionais, as empresas de TI também encontram e contratam pessoal de universidades instaladas fora da cidade – lembra Rogério Cezar de Cerqueira Leite.

Vantagens e desvantagens de uma cidade grande

Apesar de tantos avanços, o pólo tecnológico também levou para Campinas alguns problemas típicos dos grandes centros. A coordenadora de Estudos e Apoio à Pesquisa da PUC-Campinas, Vera Beraquet, aponta alguns deles.

- A vinda das empresas fomentou as pesquisas e deu uma injeção de ânimo nas universidades, na produção de conhecimento novo. Por outro lado, o pólo tecnológico trouxe problemas típicos de cidade grande, como poluição e violência – ressalta.

Para Hélio Waldman, no entanto, esses são fatores inerentes ao desenvolvimento de uma região.

- Os governos tentam dispersar atividades de desenvolvimento tecnológico para que regiões carentes possam se desenvolver, pois a grande desvantagem dos pólos é que os recursos ficam em uma única região. Ao mesmo tempo, a concentração é fundamental para o desenvolvimento tecnológico porque permite a sinergia, a interação entre grupos que trabalham com assuntos diferentes e o ambiente universitário. Essa troca é muito saudável – finaliza o professor titular da Unicamp.
Por Marcela Britto


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Especialista Microsoft Pequenas Empresas

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